terça-feira, 22 de julho de 2014

REFLEXÕES SOBRE AS RAZÕES E O SIGNIFICADO DOS SÍMBOLOS DO MUNICÍPIO DE CAMPOS DOS GOYTACAZES (RJ)



         
   O propósito deste estudo é resgatar a história doa símbolos do Município de Campos dos Goytacazes e dessa forma proporcionar sua correta descrição heráldica e esclarecer o significado de todos os seus elementos, forma e dimensão, como também do simbolismo de cada uma de suas peças e de cada uma de suas cores. Êle possibilitará um entendimento mais claro sobre o Brasão de Armas e a Bandeira do Município de Campos dos Goytacazes, de forma a não pairar dúvidas sobre seu significado e representatividade.    Ao longo de mais de 100 anos, desde a criação do brasão de armas de Campos dos Goytacazes, surgiram inevitáveis deturpações iconográficas que, de forma inadvertida e progressiva, ocorreram tanto no desenho do conjunto do Brasão de Armas como nas formas das peças que o compõem. Isso ocorreu quando o brasão teve que ser sucessivamente desenhado, para fins de sua reprodução em impressos, devido à variação do número dos distritos que compõem o Município.
  A importância da heráldica para os estudos históricos, sejam eles políticos ou sociais, é manifesta. Dessa maneira, nossa intenção é a de proporcionar a cidadania campista um documento completo com todos os elementos que definem a forma, os elementos, as razões e o simbolismo do Brasão de Armas e da Bandeira do Município.

Os símbolos do Município de Campos dos Goytacazes são: o Brasão de Armas do Município, a Bandeira Municipal e o Hino Municipal com letra de Azevedo Cruz e música de Newton Perissé Duarte. Foi no dia 16 de setembro de 1954 que o Hino de Campos, era cantado pela primeira vez em público, no Clube de Regatas Saldanha da Gama, pelo Orfeão Santa Cecília.

Letra do hino do município de Campos dos Goytacazes

Campos Formosa, intrépida amazona
Do viridente plaino goitacás
Predileta do luar como Verona
Terra feita de luz e madrigais

Ó Paraíba, ó mágica torrente
Soberana dos prados e vergéis
Por onde passas como um rei do oriente
Os teus vassalos vêm beijar-te os pés

Nada iguala os teus dons, os teus primores
Val de delícias, o teu céu azul
Minha terra natal ninho de amores
Urna de encantos, pérola do sul


Campos Formosa, intrépida amazona
Do viridente plaino goitacás
Predileta do luar como Verona
Terra feita de luz e madrigais

Ó Paraíba, ó mágica torrente
Soberana dos prados e vergéis
Por onde passas como um rei do oriente
Os teus vassalos vêm beijar-te os pés

Ó Paraíba, ó mágica torrente
Rio que rolas dentro do meu peito.

Com este estudo se procura resgatar para as gerações atuais e futuras o conhecimento histórico e o significado do Brasão de Armas e da Bandeira do Município de Campos dos Goytacazes.



O Brasão de Armas, que é um dos mais antigos símbolos municipais, vem sendo usado desde o início do século XX, como vemos na Planta da Cidade desenhada em 1902. O Brasão tem a seguinte descrição heráldica: “Tarja de prata (representada pela cor branca) sobre a qual está assentado um escudo oval de blau (azul) com a representação da constelação do Cruzeiro do Sul, que consta de cinco estrelas, de prata, posicionadas como se observa no céu. Como apoios do escudo, duas hastes de cana-de-açúcar folhadas, ao natural, colocadas à destra (direita), e um ramo de cafeeiro, ao natural e frutado de goles (vermelho), colocado à sinistra (esquerda), e passados em aspa atrás do escudo. Como divisa, num listel de ouro (representado pelo amarelo), a legenda ‘IPSÆ MATRONÆ HIC PRO JURE PUGNANT’ escrita em letras latinas de sable (preto), que vai colocado atravessante em banda sobre o escudo e a tarja, continuando sob a ponta da tarja e formando três pregas, a primeira se sobrepondo à base das hastes de cana, e a última à base do ramo de cafeeiro. Como timbre, um barrete frígio de goles (vermelho), que a sua vez vai encimado por um listel em forma de arco, também de ouro, com a inscrição ‘CAMPOS DOS GOYTACAZES’, em letras latinas de preto”.
A interpretação e justificativa de cada uma das peças, metais e cores indicadas no Brasão de Armas do Município é como se detalha a seguir:


a)                        A tarja e o escudo oval, por serem formas antigas de escudos usados na heráldica, foram escolhidos para recordar as remotas origens históricas da colonização das terras do atual Município, que começou a partir de 1627, depois que o governador da capitania do Rio de Janeiro, Martim Correa de Sá, doou algumas glebas aos chamados "Sete Capitães", que construíram, em 1633, currais para gado, próximos à Lagoa Feia e à Ponta de São Tomé.

b)                     O Cruzeiro do Sul, representado no centro do escudo, lembra a respectiva constelação e as estrelas que brilham no nosso céu e que por séculos serviam de guia para os navegantes e os descobridores de nossa terra e vem simbolizar as aspirações dos campistas por objetivos superiores e por ações sublimes. Alem disso, no Brasil, o Cruzeiro do Sul é a mais conhecida das 88 constelações em que se dividem as estrelas vistas da Terra, isso não apenas por sua fácil identificação no céu, como também por figurar em posição de destaque (central) na Bandeira do Brasil e no Brasão de Armas da República. O Cruzeiro do Sul também recorda o momento histórico da Proclamação da República, pois nessa ocasião a constelação passava sobre o meridiano da cidade do Rio de Janeiro, na época capital do Brasil.

c)                          O barrete frígio, que é uma espécie de “touca” ou “boné”, era originariamente usado pelos habitantes da Frígia, um antiga região da Ásia Menor, localizada hoje onde está situada a Turquia, e que se tornou um verdadeiro ícone libertário internacional e virou uma peça habitual nos movimentos populares. Ele foi adotado, na cor vermelha, pelos republicanos franceses que lutaram pela tomada da Bastilha, em 1789, que culminou com a instalação da primeira república francesa, em 1793. Sua inclusão como timbre do brasão foi para simbolizar o regime republicano que rege a nação brasileira, e para recordar que inúmeros campistas marcaram a presença de Campos nas campanhas republicanas. Seria errado interpretar o “barrete frígio” como sendo alguma touca.

d)                             Como é dever do cidadão e dos poderes públicos, de preservar a história, já que o passado proporciona os alicerces e fundamentos para o presente e desenvolve as projeções para o futuro, se considerou importante manter no Brasão de Armas do Município a significativa e histórica divisa em latim, “IPSÆ MATRONÆ HIC PRO JURE PUGNANT”, que significa “Aqui até as mulheres lutam pelo direito”, que alguns historiadores atribuem a criação do Brasão à Câmara Municipal de Campos, conforme consta da Planta da Cidade que foi desenhada em 1902. Foi com o primeiro prefeito municipal de Campos, o Dr. Manoel Rodrigues Peixoto, advogado, cujo mandato foi de 1904 a 1905, que o brasão municipal, com a divisa, foi mais amplamente divulgado. A legenda recorda o esforço e a coragem de mulheres como Benta Pereira e sua filha Mariana Barreto, que lutaram pelo direito, pela justiça e pela liberdade, numa época em que a cidadania vivia num clima de terror e violência, e que a gente estava oprimida e sofria nas mãos dos Assécas que dominavam estas terras. Essa era uma época histórica em que as mulheres não tinham direitos civis, isto é, nem vez e nem voz. Com essa legenda se presta uma merecida homenagem e valoriza a todas as anônimas mulheres campistas que trabalharam e que trabalham com dedicação, em múltiplos setores, pelo desenvolvimento social e econômico do Município.

e)                           Faz-se presente que o uso de divisas em latim é comum na heráldica mundial e no Brasil, destacam fatos históricos nacionais, estaduais ou locais, e ressaltam a antiguidade da criação dos Estados e Municípios. Por exemplo no Brasão e na Bandeira do Estado do Rio de Janeiro, com “RECTE REMPUBLICAM GERERE” que significa “Gerir a coisa pública com retidão”; no Brasão e na Bandeira do Estado de Minas Gerais, com a divisa “LIBERTAS QUAE SERÁ TAMEN”, que recorda os anseios de liberdade e independência que motivaram a inconfidência mineira, que significa “Liberdade ainda que tardia”; no Brasão de Armas do Estado de São Paulo, "PRO BRASILIA FIANT EXIMIA", que lembra a contribuição do Estado para o desenvolvimento nacional, e que significa: “Pelo Brasil façam-se grandes coisas”; no da Brasão cidade de São Paulo, “NON DUCOR DUCO”, que significa, “Não sou conduzido, conduzo”, e em muitos outros brasões municipais.

f)                           O listel com a legenda foi colocado na posição em banda, sobre a tarja e o escudo oval, ou seja, em posição diagonal da direita e descendo para a base esquerda, e envolvendo o conjunto vem a se sobrepor às bases das hastes da cana-de-açúcar e do ramo de cafeeiro, assim recordando a importância do Rio Paraíba do Sul que corta e nutre o solo do Município, favorecendo sua agricultura, e que por muitos anos foi um dos facilitadores das comunicações e via de escoamento da produção agrícola local e de ingresso de gêneros para o comercio. A forma envolvente do listel, comparada com o Frio Paraíba, vem também recordar uma das estrofes do Hino de Campos, com letra de Azevedo Cruz e música de Newton Perissé Duarte, que enaltece a importância do Rio Paraíba: “Oh Paraíba, oh mágica torrente! Soberana dos prados e vergeis! Por onde passas como um rei do Oriente, Os teus vassalos vêm beijar-te os pés!... Rio que rolas dentro do meu peito!”.

g)                          O metal ouro, usado no listel, representado em desenhos coloridos pela cor amarela, e em desenho não-colorido por um ponteado miúdo, é o mais precioso e nobre dos metais heráldicos e no Brasão de Armas de Campos vem simbolizar a Força, a Riqueza e o Comando que sempre estiveram presentes nas mentes e nos corações dos campistas, em todas as etapas da construção do Município, e recordar a riqueza que era transportada por barcos, através das águas do rio Paraíba do Sul, reafirmando a comparação poética feita no Hino de Campos, do rio com um rei do Oriente. Lembra-se que de acordo com as leis da Heráldica, num Brasão, a posição destra, ou direita, se refere à parte direita do escudo, que é contrária a posição do observador. 

h)                               A conjugação do ouro do listel com o preto da inscrição da legenda e do nome do Município vem simbolizar a Prudência, a Abnegação e a Harmonia existente entre todo o povo do município de Campos dos Goytacazes onde, com uma grande variedade e mistura de raças e religiões, sempre foi um lugar sem preconceitos de qualquer natureza e onde a liberdade é igual para todos. Essa combinação de ouro com a cor preta (sable) vem também simbolizar o “ouro negro”, como é denominado o petróleo, que abunda na plataforma continental do município.

i)               As hastes de cana-de-açúcar e o ramo de cafeeiro frutado, recordam duas das culturas agrícolas que historicamente incentivaram e consolidaram a colonização do território, sendo que a cana-de-açúcar foi por muito tempo o esteio da economia local, e que promoveu o estabelecimento de usinas no Município. Com essa representação no Brasão, se recorda que a cana-de-açúcar, originária do Oriente, teve sua primeira muda plantada em solo da região em 1539, trazida por Pero de Góis, e que a primeira usina de açúcar foi construída em 1879.  Ainda que hoje o Município de Campos dos Goytacazes não tenha uma expressiva participação na produção estadual de café, o ramo de cafeeiro vem recordar que essa cultura foi importante para a economia da região na época da consolidação da colonização do município, tendo feito sua entrada triunfal no Vale do Paraíba no final do século XVIII, e que descendo o curso do rio Paraíba do Sul e de seus afluentes, cobria a região litorânea até Campos dos Goytacazes de onde subiu a serra e alcançou a região montanhosa. A conjugação das hastes de cana com o ramo de cafeeiro destaca a importância do setor agrícola para o Município.

j)              O metal prata, normalmente representado em desenhos coloridos pela cor branca, e em não-coloridos como área vazia, é um dos metais mais usados na heráldica, e no brasão de Campos dos Goytacazes foi usado na tarja para simbolizar a Amizade existente entre os cidadãos, a Equidade ou disposição de reconhecer o direito de cada um, a Justiça que é o fundamento da cidadania, e a Inocência e Pureza que transpiram dentro das fronteiras municipais. O branco, que é a soma de todas as cores, vem também traduzir a diversidade social (raças, sexos, religiões, etc.) e reafirmar a união da população e a ausência de sentimentos belicosos.
k)                            O blau (ou azul) do campo do escudo, representado em desenhos coloridos pela cor azul, ou por um hachuriado horizontal, em desenho não-colorido, sendo a cor do céu, vem simbolizar todas as idéias que vêm do alto e que sempre inspiraram o desenvolvimento municipal, traduzindo a Firmeza da cidadania, a Glória que é um fato que se realça sobre as coisas terrenas, e a Virtude que é um dom celestial.

l)            O goles (ou vermelho) usado no barrete frigio, e representado em desenhos coloridos pela cor vermelha, ou por um hachuriado vertical, em desenho não-colorido, recorda a história das lutas pela colonização da terra e pela autonomia do município, e lembra a Coragem e o Amor dos campistas por sua terra, enquanto que o vermelho também simboliza a Caridade, a Generosidade e a Honra que sempre inspiraram a cidadania campista.

m)                        A forma do listel, em arco voltado para cima, com a inscrição “CAMPOS DOS GOYTACAZES”, e posicionado na parte superior do Brasão, vem simbolizar a atitude positiva e a vontade inquebrantável da cidadania campista de crescer e de projetar o nome do Município sempre mais em alto.   

A Bandeira do Município, consta de um retângulo de tecido, medindo 1,90m no sentido da altura (correspondendo a 19 módulos) por 2,60m no sentido da largura (correspondendo a 26 módulos), que está dividido horizontalmente em três partes distintas: uma superior com 4 módulos, a sua vez dividida em duas partes iguais, de verde e amarelo, cada uma com 2 módulos; uma central de azul com 11 módulos; e uma inferior com 4 módulos, também dividida em duas partes iguais, de amarelo e verde, cada uma com 2 módulos. Na parte central, de azul, vai inserido o Brasão de Armas do Município, conforme descrito no Art. 1º. e o seu parágrafo único, que por sua vez está circundado por 15 estrelas de prata (representada pelo branco), em representação dos distritos do município, sendo que a estrela localizada no ponto central superior será sempre de tamanho ligeiramente maior, por representar o 1º. Distrito, sede do município.
As dimensões da Bandeira Municipal indicadas neste artigo são as normais, entretanto poderão ser fabricadas bandeiras de dimensões maiores ou menores, conforme as necessidades e condições de uso, mantidas, entretanto, as devidas proporções de 19 módulos de altura por 26 de largura, e o tamanho das estrelas como do Brasão de Armas será sempre proporcional às dimensões da bandeira, que o numero de estrelas será sempre igual ao número de distritos que componham o Município. 
A conjugação das cores verde e amarelo na parte superior e inferior da Bandeira Municipal vem reafirmar que o Município de Campos dos Goytacazes é parte integrante da federação brasileira, sendo que o verde, além de simbolizar a Vitória, a Civilidade, a Abundância, a Honra, o Serviço e o Respeito, atributos inegáveis da população campista, também representa a Esperança que se refere à cor verde dos pastos da vasta planície que cobre o município, que com sua promissora agricultura e fruticultura são esteios da economia local; e o amarelo simboliza as aspirações de desenvolvimento que sempre estiveram presentes nas mentes dos campistas.
O ensino dos símbolos municipais e do significado do Brasão e da Bandeira Municipal, deveria ser incluído no currículo de todas as escolas municipais, que, anualmente, poderiam aproveitar as celebrações das datas comemorativas do Município para incluir em suas programações, atividades que enfatizem o ensino do significado do Brasão de Armas e da Bandeira, assim como da letra do Hino Municipal.



Brasão de Armas do Município de Campos dos Goytacazes
(em cores)



 Brasão de Armas do Município de Campos dos Goytacazes
(em preto e branco)



Brasão de Armas do Município de Campos dos Goytacazes
(em tons de cinza para uso como marca d’água em impressos)



Brasão de Armas do Município de Campos dos Goytacazes
(desenho sem cores ou hachuriado)


Bandeira do Município de Campos dos Goytacazes
(em cores)



Bandeira Flamulada do Município de Campos dos Goytacazes
(em cores)




Fonte:
Instituto Histórico e Geográfico de Campos dos Goytacazes (RJ)
http://ihgcg.blogspot.com.br/

Texto e ilustrações:
Alberto Fioravanti (Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Campos dos Goytacazes)

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quinta-feira, 3 de julho de 2014

PROGRAMA CAMPOS.doc (MULT TV) - LICEU DE HUMANIDADES DE CAMPOS

PROGRAMA CAMPOS.doc

LICEU DE HUMANIDADES DE CAMPOS
(SOLAR DO BARÃO DA LAGOA DOURADA)

(MULT TV - CANAL 7 - VIACABO)

 

  Liceu de Humanidades de Campos

Apresentação: João Pimentel
Edição Final: Cláudio Manhães


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sexta-feira, 27 de junho de 2014

PROGRAMA CAMPOS.doc (MULT TV) - ANTIGO FÓRUM DE CAMPOS DOS GOYTACAZES

ANTIGO FÓRUM DE CAMPOS DOS GOYTACAZES

PROGRAMA CAMPOS.doc

MULT TV

(CANAL 7- VIACABO)


   Atualmente funcionando como Câmara Municipal, o antigo Fórum Nilo Peçanha, é um dos os prédios históricos mais famosos da cidade de Campos dos Goytacazes. Foi obra dos arquitetos Pedro Campofiorito e José Benevento, (este também autor do projeto da Casa de Cultura Villa Maria e da Catedral Diocesana do Santíssimo Salvador - projeto aprovado pelo Vaticano). Pedro e José se inspiraram no Pártenon de Atenas na concepção do prédio.


Antigo Fórum de Campos dos Goytacazes

Apresentação: João Pimentel
Edição Final: Cláudio Manhães

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quarta-feira, 28 de maio de 2014

PROGRAMA CAMPOS.doc (MULT TV) - FINAZINHA QUEIROZ

FINAZINHA QUEIROZ

PROGRAMA CAMPOS.doc

MULT TV

(CANAL 7- VIACABO)

   Nesta edição,  em maio de 2014, o programa conta um pouco da história de Maria Tinoco Queiroz, mais conhecida por Finazinha Queiroz, a Rainha da Bondade e a sua majestosa residência, a Villa Maria.


CAMPOS.doc - Finazinha Queiroz

Apresentação: João Pimentel
Edição Final: Cláudio Manhães


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domingo, 11 de maio de 2014

ASILO NOSSA SENHORA DO CARMO (2) - CAMPOS DOS GOYTACAZES (RJ)

   Construído em 1846 por Joaquim Pinto Neto dos Reis, o Barão de Carapebus (que foi o primeiro Promotor Público de Campos), e tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Arquitetônico Nacional (Iphan) em 1946, o Asilo Nossa Senhora do Carmo/ Casa do Engº Santo Antônio /Solar do Barão de Carapebus/Casa da Fazenda Grande do Beco, foi onde Dom Pedro II assinou o termo para a implantação da luz elétrica em Campos, inaugurando o uso da energia, pela primeira vez,  na América Latina.
 
    Está em ruínas.

   Noticiou-se que com recursos do Fundo Nacional de Cultura, o Instituto do Patrimônio Histórico e Arquitetônico Nacional (Iphan) faria a reforma.
    
     Estamos aguardando...



   E foi assim, com estas mesmas palavras encontradas acima, que em 21 de março de 2011, eu publiquei aqui no blog, uma matéria sobre o Asilo N. S. do Carmo. De lá para cá,  nada aconteceu em termos de restauração, muito pelo contrário, a situação piorou!
   A histórica Fazenda do Beco, cujo solar (atual Asilo do Carmo) é citado pelo historiador Alberto Lamego como "uma das mais perfeitas construções solarengas do Brasil", encontra-se em estado deplorável; virou uma mansão de luxo para os 
isópteros (Isoptera), uma ordem de insetos eusociais conhecida popularmente como cupim ou itapicuim.






   O estado desesperador em que se encontra o Asilo, teve início em 1999, quando numa reunião da Associação Mantenedora do Asilo do Carmo, um de seus diretores notou que a mesa de reunião estava inclinada e que uma das janelas não estava fechando. Este mesmo diretor resolveu fazer um teste: pegou uma bola de gude, depositou a mesma no chão e soltou, a bola rolou rapidamente para o lado esquerdo do solar. Desconfiados, os diretores convocaram uma equipe de engenheiros campistas para fazer uma avaliação da estrutura do Solar, e o resultado foi que as desconfianças dos diretores tinham fundamento: o Solar precisava de uma intervenção urgente e suas dependências proibidas de receber festas, para que não abalassem mais a sua estrutura, e as pessoas não corressem risco de vida
   E as festas, eram a maior fonte de renda da Associação!








   Sabe-se que no térreo do Solar funcionavam enfermarias que atendiam os idosos, porém por questões de saúde, como a transmissão de infecções por exemplo, estas enfermarias foram desativadas e optou-se então pela construção de um anexo para atender estes idosos, que ali viviam e precisavam de uma vida mais digna. Este anexo funciona até hoje.





    Em 1999, a Associação enviou ao IPHAN documentos, inclusive com um laudo técnico de três engenheiros de Campos dos Goytacazes, informando o que estava acontecendo no Solar, e da necessidade de uma intervenção urgente deste órgão.
   Junto a esse documento, a Associação comunica a não condição de assumir tal responsabilidade, por se tratar de restauração.
   Por lei, em situações como essa, o IPHAN teria que "salvar" o Solar.


A cidade de Campos dos Goytacazes está aguardando!






 
Enquanto isso, o Solar está servindo de banquete para os cupins.


   Em 20/03/2011, quando fiz a primeira matéria sobre o Solar, a frente estava escorada, agora em 25/04/2014, as escoras tinham desaparecido. Qual o motivo? Os cupins as devoraram!






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sábado, 10 de maio de 2014

ENTREVISTA NA MULT TV - PROGRAMA FALANDO FRANCAMENTE


PROGRAMA FALANDO FRANCAMENTE

MULT TV
(CANAL 7 - VIACABO)
 
   Num bate-papo descontraído, João Pimentel e Herval Machado, conversam sobre a História de Campos dos Goytacazes (RJ) através de fotografias, em 22/04/2014.


 
PARTE 1


PARTE 2


PARTE 3


PARTE FINAL


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sábado, 12 de abril de 2014

A PLANÍCIE GOITACÁ: EM FOTOS DE RODRIGO ANTÔNIO SANGIORGIO QUEIROZ

Fotos enviadas por RODRIGO ANTÔNIO SANGIORGIO QUEIROZ, que nos diz o seguinte:

   Olá, adorei o seu trabalho e fiquei até indignado com tanto descaso dos governantes para com os monumentos e construções históricas de nossa cidade; principalmente com a "destruição" da antiga Praça São Salvador, pois a reforma que fizeram nela não se parece nem um pouco com reforma e sim a criação uma grande chapa de assar hambúrguer, colocando todo aquele granito e tirando o verde que nela predominava. Estava passando por lá há alguns dias atrás, bem na hora do sol do meio dia, e a sensação que tive foi que estava sendo fritado numa frigideira. Eu nem imaginava que aquela praça era tão bonita antes da sua remodelação;  não cheguei a ver com meus olhos como era pois sou do E.S. e faz pouco tempo que moro aqui, mas já cheguei à conclusão que antes da sua remodelação, essa praça era bem mais frequentada, e, também fiquei muito triste em saber que onde se situava a Igreja N. S. Mãe dos Homens e a Santa Casa de Misericórdia tinham se transformado em um estacionamento e, sucessivamente, em um shopping. A Igreja deveria ter sido reformada e a Santa Casa transformada em um museu, melhor do que foi aberto ao lado da Praça, para poder assim ter algo para as próximas gerações poderem saber um pouco do passado de nossa cidade. Para falar a verdade, aquele shopping não tem nada a ver com o local onde ele foi construído .
     Minha colaboração com seu acervo de fotos se dará por fotos tiradas na data de 17/08/2011, de cima do silo de cimento da empresa em que trabalho onde se tem uma visão privilegiada dos  bairros adjacentes: Eldorado (Casas da Rosinha), Santa Rosa, Codin, Vila industrial, Aeroporto, Guarus, e ao fundo,  fotos dos prédios do centro da cidade e outros bairros .

                                                                                                 Atenciosamente,

                                                                                                 Rodrigo Antônio Sangiorgio Queiroz.













    CAMPOS DOS GOYTACAZES EM FOTOS, agradece a sua colaboração, Rodrigo Antônio Sangiorgio Queiroz. Fico feliz em saber que você também se preocupa com o Patrimônio Histórico da cidade. A cada dia mais, cidadãos se conscientizam da necessidade de preservá-lo. Isso é muito bom e gratificante.

    Obrigado, mais uma vez.


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sexta-feira, 28 de março de 2014

CAMPOS DOS GOYTACAZES (POEMA)


    Há 179 anos (28 de março de 1835), Campos dos Goytacazes foi elevada à categoria de cidade, e em comemoração desta data, o blog CAMPOS DOS GOYTACAZES EM FOTOS publica este belíssimo poema, cuja autoria é do amigo e colega liceísta Carlos Augusto Soares.


CAMPOS DOS GOYTACAZES

Campos dos Goytacazes, dos índios,
antigos homens tenazes.
De claras manhãs, canaviais.
De ventos fortes, canto de pardais.

Ainda ontem lhe conheci,
me apaixonei, em você cresci,
guarde para sempre meus sonhos de rapaz;
eu não lhe deixo, eu lhe corro atrás.

E quando essa vida terminar,
no seu solo, serei semente de volta ao lar,
com saudade do seu horizonte
como sede da água já bebida da fonte.

Carlos Augusto Soares


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domingo, 9 de março de 2014

O EXTINTO GINÁSIO SÃO SALVADOR

Ginásio São Salvador

   Desfile de Sete de Setembro de 1961, na Avenida XV de Novembro, quando a antiga Santa Casa ainda estava erguida.
(Foto: acervo de Antônio Carlos Ornellas Berriel)

   "Sete de Setembro de 1961. Nos postes e paredes, velhos cartazes da campanha presidencial Jânio/Jango. Jânio renunciara doze dias antes e o país estava conturbado. Jango assumiria a presidência no dia seguinte. Nós, garbosos alunos do Ginásio São Salvador, alheios às tramas políticas, em uniformes de gala homenageávamos a Pátria". (Antônio Carlos Ornellas Berriel)

   "Eu estava desfilando neste dia, no pelotão feminino do quarto ano ginasial. Era um uniforme lindo!" (Amarita Manhães)

O carneirinho do Ginásio São Salvador
(Foto: acervo de Antônio Carlos Ornellas Berriel)

"O carneirinho participava do desfile marchando garbosamente. Era muito bem penteado e branquinho como a neve". (Amarita Manhães)

Ginásio São Salvador
(Foto: acervo de Antônio Carlos Ornellas Berriel)


Ginásio São Salvador

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Este blogueiro diz:

   - Em 1973, a minha esposa termina o curso de Pedagogia, com especialização em Administração Escolar na FAFIC. No início de 1974, ela leva o currículo ao Ginásio São Salvador, mas infelizmente, logo após, o G. S. S. encerrou as suas atividades.
   O Ginásio foi demolido, e em seu local foi erguido o condomínio de apartamentos que o campista conhece como "Formosão".

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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

CAMPOS DOS GOYTACAZES EM FOTOS ANTIGAS - PARTE 26

 Vista Aérea do Centro - Anos 50

Avenida Sete de Setembro

Avenida Sete de Setembro

Avenida XV de Novembro

A Ponte General Dutra e o Hospital Ferreira Machado - 1958


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quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

O CHAFARIZ BELGA - FONTE DE HISTÓRIA

Chafariz Belga
(Praça das Quatro Jornadas - Campos dos Goytacazes (RJ)

  Amigos, não poderia deixar de transcrever para este blog, a excelente matéria de Patrícia Bueno, sobre o Chafariz Belga, publicada no Jornal O Diário em 26 de dezembro de 2013.

FONTE DE HISTÓRIA


  "Em commemoração à descoberta da América, o Sr. Dr. Prefeito inaugurou hontem a fonte monumental offerecida ao municipio pela companhia Syndicate". Foi assim que, em 13 de outubro de 1906, o tradicional jornal Monitor Campista anunciou a inauguração do Chafariz Belga, às cinco e meia da tarde do dia 11 de outubro, em frente à antiga Santa Casa de Misericórdia.

  O relato histórico dá conta de um apresentação, em um coreto na praça, dos músicos da Sociedade Musical Lyra de Apollo, que executaram peças do seu caprichoso repertório, sobretudo o Hino Nacional. "Foi extraordinario o número de famílias percorrendo o novo jardim e examinando a fonte que é de belo efeito", diz o jornal.

  Se em 1906 os campistas ressaltavam o "belo efeito" da fonte - que é uma réplica de um dos 100 chafarizes que o descobridor da América, Cristóvão Colombo, mandou fabricar -, às vésperas de 2014, a história se repete. Na última segunda-feira, a prefeita de Campos, Rosinha Garotinho, inaugurou a restauração do chafariz belga, que surpreendeu o público com suas águas dançantes e sistema de som e iluminação. O trabalho aconteceu em parceria entre a prefeitura local e a concessionária Águas do Paraíba. 

  Uma pesquisa sobre este cartão postal de Campos, que volta com estilo à cena urbana, revela particularidades que fazem dele muito mais do que um simples chafariz de praça. Atualmente, só existem dois desse modelo no mundo: um em Campos e o outro na Europa. Tombado pelo Conselho de Preservação do Patrimônio Municipal (Coppam), o chafariz levou cerca de um ano para ser restaurado, sob a supervisão do arquiteto Rômulo Braga e dos artistas plásticos Rui Soares e José Ramos. As peças históricas vinham se deteriorando com a ação do tempo e por constantes atos de vandalismo.

  De acordo com registros, a fonte foi um presente para a cidade, oferecido pela companhia inglesa Campos Syndicate Ltda. que, em 1905, se tornou "a primeira empresa de fornecimento de água e serviço de esgoto de Campos. O oferecimento do presente foi comunicado ao primeiro Prefeito de Campos, Manoel Rodrigues Peixoto em 24 de julho de 1904.

  Neste mesmo ano veio a autorização para a importação da Bélgica para ser colocado na Praça do Santíssimo Salvador e o então prefeito, Manuel Camillo Ferreira Landim, fez a inauguração do chafariz com salva de 21 tiros. 

  Naquele 11 de outubro de 1906, na cidade que entrou para a história como a primeira da América do Sul a receber a luz elétrica, "lâmpadas encantaram a grande multidão que ali se conservou até depois das 10 horas da noite", conforme narra o historiador Horácio de Souza. 

  Na última segunda-feira, o som das águas trouxe de volta lembranças de um passado distante, antes presentes só em antigas fotografias em preto e branco. Juntos, movimento, cor e luz fizeram com que um passado vivo viesse à tona, como a própria história da cidade refletida na águas.


Chafariz Belga
(Reinauguração em 23/12/2013)


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